uma dose de céu.

Pode descer mais uma.

Kicks, clicks. E os versos.

Me faltam versos, kicks, clicks.
Já não sou o mesmo.
Já não ouso dizer que me sinto bem.
Sauf pour mon ange.
Versos. No more.
Kicks. There's already been a long time.
Clicks, the same. Always missin' them.
Always missing. Missing everything. Crap.
E agora, o máximo que me permito, mesmo sabendo que no fundo ouso mais, é:
Será que volto?

Ora, vamos. Volto sim.
Só ainda não sei quando.
E até agora, o ainda tem demorado mais do que devia.
Acho que essa é a parte triste, afinal.

Olááá, enfermeiraaa!

We're back!
Depois de um semestre de pausa, porque acho que foi mais ou menos no começo do semestre que eu passei por aqui, voltei. Posso finalmente respirar e parar de perder sono como nem um condenado perde fazendo trabalhos monstros. O MM do semestre foi garantido com mais uma matéria de pedagogia - pra mim, semestre sem MM é semestre sem emoção - e agora é seguir rumo à sessão número 1000 de fisioterapia e ver se dá pra remendar.
Quanto ao blog, me esforçarei pra não deixar parado mais tanto tempo, pelo menos durante as férias. Infelizmente não produzi nada durante esse semestre, então enquanto trabalho nisso, devo postar umas fotos antigas aqui...
Segue algo que tem um tempo que escrevi e não é nada demais, mas acho a idéia divertida, então taí.


Às moscas, não!

Não deixem suas fotografias se empilharem e estacarem!
Não deixe que elas voem por sobre os textos e se larguem às moscas!
Não, não a elas!
Suas câmeras não podem esfriar, não podem ficar sem trabalho!
Não sou nenhum fotógrafo, mas isso não justifica a poeira na máquina.
Suas pilhas de textos não devem parar de crescer.
Não pare de falar, argumentar, escrever, expor.
Ou as moscas virão com suas asinhas e seus corpinhos nojentos e tomarão de conta.
A bem da verdade, qualquer um que pisa na sua comida e ainda esfrega as mãos só pode estar de sacanagem, então não deixem que passeiem por onde bem quiserem!
E na pior das hipóteses, sigo com o voto pelo uso de sapos.


Então, é... preciso voltar a postar algo por aqui...
Até mais!

Uma foto e um pensamento de recreio.

Nem tudo na vida é um rio cheio de peixinhos frescos.
E um acréscimo triste. - É só esperar que você vai ver. -

516 - II.

Corria. Fazia questão de transformar tudo à sua volta em vultos. Repugnância, nojo, desespero. Enquanto passava lembrava-se da primeira vez que havia cruzado aquele arremedo de recepção para encontrar-se com Miszo naquilo que ele insistia em chamar de escritório. Dessa vez, ao entrar no prédio, não chovia como da primeira vez, aquele sereno insistente. Nem como quando entrou. Chovia, de fato, mas não se lembrava da última vez que havia visto uma chuva como aquela, torrencial, poderosa. Hoje usaria sua força para lavar o passado. Nada havia melhorado naquele buraco, é claro. Mas não podia ater-se a detalhes, não havia tempo. Precisava chegar à sala de Miszo. Agora sua vida dependia disso. Sem olhar para trás, passava pelas paredes mais que descascadas, desabalada. O quinto andar nunca parecera tão longe. Sua impressão era de que quanto mais subia mais distante ficava, não via a distância encurtar. De repente, uma placa lhe indicava que havia chegado. Mal acreditava que estava tão próxima da verdade que havia buscado por tanto tempo. Maldito corredor. Com certeza não era tão longo, mas era sinceramente o que estava sentido, parecia não ter fim. Maldito corredor. 516.

516. Quase quebrou a porta ao atravessá-la, abrindo-a de uma vez. Estava próxima. Mais do que jamais estivera. Na janela, enorme, mais um nascer do sol lutava para se fazer ver por entre os prédios, por entre a chuva. Pena não ser essa a primeira aurora a se ver, pensou. Mas desta vez seria diferente. Finalmente teria o que buscava há tanto tempo. Nunca pensaria em voltar àquela sala não fosse Miszo, revelando-lhe que era lá, no fim das contas, que havia deixado o livro. Os raios matinais atravessavam o vidro, brincando despreocupados em seu rosto. O bar. Que diabos ele tinha na cabeça em chamar aquilo de bar, sinceramente. Uma estante baixa com dois espaços não era um bar, ela iria lhe explicar se lembrasse. Ghutian. Genial até nisso, pensou quase deixando um leve sorriso aparecer. Em seu primeiro encontro havia conversado com ele sobre Guthian. Se não estivesse vazia, beberia um pouco. Isso se houvesse tempo, claro. Tempo. Lembrou-se de que não dispunha de tal regalia e continuou. Puxou a garrafa, o suporte. Um ruído abafado embaixo da estante denunciou o mecanismo do qual ele havia falado. Se tudo tivesse corrido conforme o planejado, ali encontraria a causa de todo aquele drama pelo qual havia passado. Afastou o chamado bar, prendeu a respiração. Todo ruído que ouvia era o bater desregulado do seu coração. Levantou a alça da tampa do pequeno alçapão agora destravado. Não respirava. Era um espaço pequeno, parecia feito sob medida. Um pano envolvia o formato que tanto queria ver. Um instante que levou olhando o embrulho ali guardado pareceu um século de contemplação. Estava ali. Tudo aquilo pelo qual havia lutado estava ali diante de seus olhos, ao alcance de suas mãos.

Pegou o embrulho, puxou o pano, suas mãos tremiam. Era um velho livro, de capa dura, marrom, desgastado pelo tempo. Folheou. Todas as suas páginas em branco, perfeito. Somente um velho livro com páginas em branco para qualquer um que olhasse. Portanto, não havia um motivo aparente para tanta preocupação, exatamente como devia ser. Embrulhou-o novamente no pano imundo, velho. Fechou o pequeno alçapão, puxou o bar, deixando tudo como estava antes.

Então, mais uma vez, esperando que aquela fosse ao menos uma das últimas, tornou a correr.

Tiras de Sexta pra sábado

Devido à hora adiantada, essas se tornaram tiras de sexta pra sábado! Mas aproveitem! O fim de semana já tá acabando mesmo...









































































































































E se Mr. Bean fosse um avatar?















Mr. Bean: That's All Folks!

Numa viagem, escrevi.

A saudade é uma das maiores companheiras dos poetas, tome nota.
Cresce ela, cresce o amor, crescem os versos, a beleza e o abraço.
Quem sabe não arranjo uma bem forte e me torno um deles, qualquer dia desses.


E não fui eu quem viajou. (L')

Completando 50! E não estou falando da idade de Brasília...

Hoje, se minhas contas estiverem certas, completamos 50 dias de férias a mais! Reclamava que quase três meses de férias não eram o suficiente? Queria um poquinho mais? Beleza, então, né? OH, NO! NOT AT ALL! Sinceramente, nunca quis tanto ter aula na vida... A gente estuda tudo que não quer durante a vida toda pra quando conseguir o direito de escolha não ter aula?...Outtahere, man. É preciso fazer esse tempão de greve e ferrar com o semestre de milhares de estudantes pra conseguir o que é deles por direito? Morram desembargadores! Um quarto do salário de vocês deve ser mais ou menos o salário inteiro de um professor ali, não? Ora vamos...São professores de universidade federal! Deviam era dar aumento! Enfim. Qualquer hora dessas ainda me alongo falando disso.
Enquanto a super-valorização dos nossos professores continua e o nihongo enhardece mais e mais, sigamos com um pouquinho de distração enquanto há tempo! Porque quando a greve tiver fim... encaremos, jovens padawazinhos, nossas vidas vão acabar. Apesar disso, mal podemos esperar... certo?
Agora, dois bons vídeos! Uma merecida e muito bem-feita homenagem a Watterson e uma animação muito fera! É! Fera! XD





Agora, quebrando o clima desse segundo vídeo....Jogo dos Sete Erros!
Primeiramente, temos a capa do último cd do Linkin Park, aquela banda que mesmo aqueles que repudiam hoje já escutaram um dia, e depois...bom.
O primeiro dos sete erros, eu digo, é a falta de criatividade...os outros eu deixo pra quem quiser tentar achar...







































E já que estamos aqui... a piada é barata, mas eu ri, juro. Apresento-lhes O Maior Físico do Mundo.

































Se deram mesmo o trabalho de fazer essa montagem...

E como eu tinha prometido... Hachi! Essa é pra você! Sabe como as estátuas da Ilha de Páscoa ficaram tortas?






CrujCrujCruj, Tchau!

Tiras de Sexta

Sexta? Então bem-vindo ao seu Spa Semanal de Tirinhas! (Spa? ô.õ...Whatever!) Vamo rápido que odeio textos longos encima das tirinhas!












Tapanacara - A Última Seiya (asudhasudhasudhasudhaushduashduahsduhdaeuripacarai)


516.

Nunca soube dar títulos para as coisas, sabe. Também nunca gostei, talvez por não saber fazê-lo, mas enfim. Como num dos últimos posts, é provável que apareçam vários Untitled por aqui (ou Sem Título, também é um ótimo nome, afinal), mas para esse aqui tem ao menos um provisório. Criatividade? Nah, nunca foi meu forte, então sejamos simplistas. Taí um texto um tanto antigo, então. Gosto dele porque, confesso, me diverti ao descrever. Não é exatamente algo mágico, mas ainda pretendo desenvolver a idéia um dia. Tomara que gostem. Simples, eu disse? Pois é. 516.

Chegou um ou dois minutos antes da chuva.

***

O tempo estava fechado havia dias, e durante todo esse tempo não se tinha nada além de um sereno caindo irritantemente. Seus ombros constantemente úmidos ilustravam tal situação. Logo após chegar ao prédio, choveu de verdade. Caía aos pedaços, o lugar. A pintura já bastante descascada na parede devia ter sido algo como um tom de bege em algum momento do passado. Misturada às cores das inúmeras infiltrações obtinha-se um tom realmente indesejável na decoração. O hall, vazio, abrigava uma mesa que talvez tivesse sido usada como recepção há algum tempo e que ainda guardava uma campainha. Não se deu ao trabalho de tocar. Mais adiante, à direita, uma escada, fechada, como uma escada de emergência. O elevador, de frente para a porta de entrada, era algo que por si só funcionava como um aviso para que não fosse usado. Uma pena, pensou. Cinco andares não lhe despertavam mais que preguiça. O cheiro nojento nas escadas provavelmente vinha de algumas centenas de cigarros já fumados ali, e à medida que subia percebia que o prédio conseguia se mostrar ainda mais maltratado. No quinto e último andar, parecia já não haver pintura alguma nas paredes e só restava uma leve impressão de alguma cor que devia ter havido ali em épocas remotas. A essa altura suas roupas já estavam impregnadas daquele odor repulsivo. 516. Não acreditou que veria boa coisa. A tendência do prédio era piorar à medida que se avançava por ele, e alguém que ainda trabalhava ali não inspirava de fato confiança. Havia ainda algumas salas em funcionamento, mas não tinha notícias de alguma além dessa para a qual se dirigia que atendesse ao público. Não era um lugar atrativo, já devo ter me feito claro. 510. Estava quase no fim do corredor, e nada da sala. 513. Devia ser a última. Seguiu andando, passando por outras duas ou três portas sem número, esperando que a que procurava tivesse um. 516. Tinha. Parcialmente, mas melhor que nada. Era uma porta de alumínio, com um vidro translúcido na parte superior. Os números eram em adesivo e o número um não estava lá, mas a marca da cola ainda permanecia na porta. Bateu. 'Entre', autorizou uma voz rasgada do lado de dentro.


O fez. No momento em que adentrou a sala a primeira impressão que teve foi a de que já estivera ali antes. Era um cômodo pequeno, mal iluminado e com poucos móveis. Havia um cabideiro de madeira escura atrás da porta e uma escrivaninha ao fundo, com uma grande janela atrás, imunda, onde a chuva castigava o vidro por seu desânimo. Um arquivo de metal do lado esquerdo da mesa tinha um ou dois amassados e do lado direito uma estante baixa com algumas garrafas de bebidas, na maior parte vazias. Atrás da estante, uma porta simples de madeira, fechada. Sobre a mesa, uma luminária, a única fonte de iluminação da sala, um cinzeiro muito bem usado e uma garrafa de uísque com um copo ao lado. Ambos pela metade. Também podia ver um telefone antigo e algumas pastas com fotos e textos jogados sobre a escrivaninha, talvez para mostrar algum serviço. Do lado onde estava da mesa, duas poltronas de couro muito velhas exalavam o cheiro que, misturado ao do cigarro aceso e ao do tempo, dava o tom da sala. Do outro lado, um homem que surpreendentemente aparentava ter por volta de seus 25 anos, estava sentado em uma outra poltrona de couro, maior e mais surrada, e tinha os pés encima da mesa, mostrando a enorme preocupação que tinha para com absolutamente nada. Novo demais, pensou. Estranhamente, a sensação que passava era de que sua experiência era inversamente proporcional à sua juventude. Ainda assim, novo demais.

Tiras de sexta

Adoro o humor sucinto e eficiente das tirinhas, por isso resolvi colocar algumas por aqui. Tudo bem, o nome do post não ficou nada criativo, mas pense você... Numa sexta-feira, depois de uma semana toda bagunçada, relaxar com algumas tirinhas é algo incrível. Se não acredita, dá uma lida aí =]












Waldomiro Neto

















































































































































































Untitled 1

Março ou Abril de 2010.

E lá estou eu. A um passo de distância de tudo que necessito, a um decisivo passo do que pode ser a minha única chance. Uma lembrança, derradeira, é o carrega toda a responsabilidade, todo o peso. É preciso ser perfeito, nem um pouco a mais, nem mesmo uma respirada a menos. Toda a força concentrada em repetir o que foi estabelecido anteriormente. Recuso-me a seguir por outros caminhos. Sei que há ajuda disponível, mas isso é um embate pessoal. Sei que sou capaz. Mesmo errando uma, duas, três vezes, não desistirei. Que pulsem alertas vermelho-sangue, daqui não saio! Já sei! Não, espere... não pode ser isso... sei que há um modo de lembrar-me... Ora, vamos, não posso prosseguir se não o fizer... Argh! Como odeio depender disso... Sei que é importante, mas não haveria outro modo? Sinceramente, me soa absurdamente inconveniente por vezes... Mas agora não há nada que possa ser feito... só posso continuar nadando desesperadamente em minhas memórias e me afundando muito mais do que poderia agüentar normalmente em lembranças do consciente - e do subconsciente, com sorte - para que consiga recuperá-la... Maldita! Não podia fazer isso comigo! Eu a criei! Fui eu quem abriu mão de um precioso tempo para dar vida a ela! Ah, mas ela pagará. Assim que encontrá-la e mesmo que no fim dessa busca, vendo mesmo essa aurora desbotar na janela, não a encontre, darei meu jeito para que ela seja destruída e esquecida justamente, sem peso na consciência. Mas isso, depois. Agora tudo que mais queria era vê-la aqui, em pequenos buracos negros ou estrelas distantes e acinzentadas... não importa. Meu desejo por ela continua a crescer, preciso revê-la, ainda que de fato não o possa, pois mesmo de mim, aquele que a concebeu originalmente, eles insistem em esconder... Insiste em correr o tempo, me cresce uma agonia absurda... Não resistirei muito mais tempo...Não. Chega. Vou apelar ao link de senha esquecida e ao protocolo de confirmação que chegará ao outro e-mail. Odeio essa burocracia...
Mas espere... qual era a senha daquele mesmo?
...

O início.


"Existem poucas fontes de humor mais confiáveis e perenes que a mente de uma criança. A maioria dos cartunistas, seres infantilizados que são, sabe bem disso. Mas, quando se dispõem a captar o espírito tumultuoso dos pequenos, eles quase sempre trapaceiam. Sem pudor, criam não crianças reconhecíveis, mas adultos em miniatura, irritantes e piadistas. Pode-se atribuir isso a indolência ou falha de memória, mas a maioria das pessoas que escrevem diálogos cômicos para crianças dá mostras de uma surpreendente falta se sensibilidade – ou de fé – em relação ao material que as inspira, isto é, a infância, em toda a sua livre e encantadora exuberância.

É nesse sentido que Bill Watterson se revela tão original. Watterson é o repórter que acertou a mão, conseguindo retratar a infância tal como realmente é, com suas constantes mudanças de sistemas de referência."

Calvin e Haroldo – o início.

Sabendo que nem todos têm o prazer de conhecer o começo de tudo, trago a seguir as três primeiras tiras dessa maravilhosa dupla criada por Watterson, publicadas em 1985. Já pensou em como Calvin e Haroldo se conheceram? Ósó.






Pois é,

Finalmente criei [coragem para] um blog, então cá estamos. Não tenho bem certeza do que vai sair por aqui, mas com sorte, teremos algo de valor. Provavelmente uma conversa ou outra, sobre um texto, uma imagem ou sobre nada, lhe aguarda, se quiser. Mas siga lendo e comentando! Espero que goste. Por agora, só me resta lhe convidar a chegar mais perto, puxar uma cadeira e pedir que também lhe sirvam uma boa dose desse céu, pois garanto, vale muito a pena.


Pra começar.

Me vê um copo de céu aí, vai.
Quem sabe, ao tragar toda essa perfeição inconstante - perfeita inconstância -,
não melhore um pouco esse bafo de mesmice.

Já me chega não ter nada demais. Quero uma dose de plenitude multifacetada para rasgar-me goelabaixo. Para me provar que não preciso pisar somente em chão e que palavras e cores e ares estão todos à minha disposição. E pode engatar outra dose, não saio daqui olhando pressa terra sem graça onde todos fizeram questão de deixar uma marca.Faltou-lhes o bom senso para escolher entre uma boa e uma má lembrança, logo a mais estúpida veio primeiro.
Por isso que ninguém sai dessa porcaria.

Anda, rapaz, me vê mais uma dose. Capricha nas cores, enche de nuvem,daquelas bem fofas, pra que eu deite encima, sem preocupações. Mistura um pouco, e bota um pôr-do-sol pra enfeitar, que os olhos também gostam dessa nostálgica embriaguez. Ah, como os olhos se deliciam e gostam de me levar com eles...Tenho sorte, sabia? De ter olhos diferentes de todos os outros...
Ou será que só escolhi prestar atenção ao que eles me dizem, ao invés do que a maioria faz? Puxam os cobertores sobre suas cabeças e não enxergam nada, ignorantes. Tornam os olhos para o interior de si e ainda assim não enxergam o que seus interiores mais desesperadamente clamam! Olhem à sua volta, sejam razoáveis! Ou, se assim melhor lhes parecer, esqueçam essa maldita razoabilidade! Esqueçam tudo e agarrem uma garrafa! Entornem, tomem um gole ou dois, não importa. As cores os libertarão desse mundo ridículo em que fazem questão de se prender.
Os olhos são os verdadeiros sábios, eu posso lhe dizer. Em seu brilho estelar, com o qual mesmo eu ainda me surpreendo, carregam toda a verdade que é preciso ter para se viver melhor.
Seria bom se dependêssemos só deles.

Mas por que foi que você parou de servir, moleque?
Enche o copo!Aliás, vê se traz a garrafa toda logo. Um litro de céu é mais bonito que uma dose. Desde que seja uma boa garrafa, safra de Brasília, eu garanto teu salário.

Devo esse capricho aos meus olhos. Encontraram com um grande olho no céu, uma vez. E me disseram que se você ousar imaginar a cor e a essência dos olhos de um belo pássaro em seu mais puro brilho, contente, em seu vôo mais tranqüilo, a ferocidade e a firmeza da corrida de um grande felino em sua elegância magnífica, o sorriso da mais bela das Damas, aquela que se agarra ao teu braço, descompassando-lhe por completo, e repousá-los sobre o abraço mais que verdadeiro de dois amigos, você começará a chegar perto do primeiro tom de uma das cores desse céu que te falo. Não é fácil, rapaz, achar uma boa garrafa como essa. Sabem das coisas, esses meus velhos olhos. Se me lembrar, outro dia converso com eles para te convencer de que mesmo o mais escuro cobertor com o qual a noite pode se cobrir é incrível.

Mas não se acanhe ao servir, devemos mesmo desfrutar. Pode descer mais uma, pra fechar essa conta aqui. Só aqui. Tô levando a garrafa, porque desse céu em particular nunca vi ninguém cansar. E com a mesma certeza que afirmo que não há espaço para arrependimentos em nossa conversa, te garanto que volto amanhã pra gente conversar um pouco mais. Nessa conversa de nuvem aqui ainda tem muito o que falar, afinal.