uma dose de céu.

Pode descer mais uma.

Tiras de Sexta

Sexta? Então bem-vindo ao seu Spa Semanal de Tirinhas! (Spa? ô.õ...Whatever!) Vamo rápido que odeio textos longos encima das tirinhas!












Tapanacara - A Última Seiya (asudhasudhasudhasudhaushduashduahsduhdaeuripacarai)


516.

Nunca soube dar títulos para as coisas, sabe. Também nunca gostei, talvez por não saber fazê-lo, mas enfim. Como num dos últimos posts, é provável que apareçam vários Untitled por aqui (ou Sem Título, também é um ótimo nome, afinal), mas para esse aqui tem ao menos um provisório. Criatividade? Nah, nunca foi meu forte, então sejamos simplistas. Taí um texto um tanto antigo, então. Gosto dele porque, confesso, me diverti ao descrever. Não é exatamente algo mágico, mas ainda pretendo desenvolver a idéia um dia. Tomara que gostem. Simples, eu disse? Pois é. 516.

Chegou um ou dois minutos antes da chuva.

***

O tempo estava fechado havia dias, e durante todo esse tempo não se tinha nada além de um sereno caindo irritantemente. Seus ombros constantemente úmidos ilustravam tal situação. Logo após chegar ao prédio, choveu de verdade. Caía aos pedaços, o lugar. A pintura já bastante descascada na parede devia ter sido algo como um tom de bege em algum momento do passado. Misturada às cores das inúmeras infiltrações obtinha-se um tom realmente indesejável na decoração. O hall, vazio, abrigava uma mesa que talvez tivesse sido usada como recepção há algum tempo e que ainda guardava uma campainha. Não se deu ao trabalho de tocar. Mais adiante, à direita, uma escada, fechada, como uma escada de emergência. O elevador, de frente para a porta de entrada, era algo que por si só funcionava como um aviso para que não fosse usado. Uma pena, pensou. Cinco andares não lhe despertavam mais que preguiça. O cheiro nojento nas escadas provavelmente vinha de algumas centenas de cigarros já fumados ali, e à medida que subia percebia que o prédio conseguia se mostrar ainda mais maltratado. No quinto e último andar, parecia já não haver pintura alguma nas paredes e só restava uma leve impressão de alguma cor que devia ter havido ali em épocas remotas. A essa altura suas roupas já estavam impregnadas daquele odor repulsivo. 516. Não acreditou que veria boa coisa. A tendência do prédio era piorar à medida que se avançava por ele, e alguém que ainda trabalhava ali não inspirava de fato confiança. Havia ainda algumas salas em funcionamento, mas não tinha notícias de alguma além dessa para a qual se dirigia que atendesse ao público. Não era um lugar atrativo, já devo ter me feito claro. 510. Estava quase no fim do corredor, e nada da sala. 513. Devia ser a última. Seguiu andando, passando por outras duas ou três portas sem número, esperando que a que procurava tivesse um. 516. Tinha. Parcialmente, mas melhor que nada. Era uma porta de alumínio, com um vidro translúcido na parte superior. Os números eram em adesivo e o número um não estava lá, mas a marca da cola ainda permanecia na porta. Bateu. 'Entre', autorizou uma voz rasgada do lado de dentro.


O fez. No momento em que adentrou a sala a primeira impressão que teve foi a de que já estivera ali antes. Era um cômodo pequeno, mal iluminado e com poucos móveis. Havia um cabideiro de madeira escura atrás da porta e uma escrivaninha ao fundo, com uma grande janela atrás, imunda, onde a chuva castigava o vidro por seu desânimo. Um arquivo de metal do lado esquerdo da mesa tinha um ou dois amassados e do lado direito uma estante baixa com algumas garrafas de bebidas, na maior parte vazias. Atrás da estante, uma porta simples de madeira, fechada. Sobre a mesa, uma luminária, a única fonte de iluminação da sala, um cinzeiro muito bem usado e uma garrafa de uísque com um copo ao lado. Ambos pela metade. Também podia ver um telefone antigo e algumas pastas com fotos e textos jogados sobre a escrivaninha, talvez para mostrar algum serviço. Do lado onde estava da mesa, duas poltronas de couro muito velhas exalavam o cheiro que, misturado ao do cigarro aceso e ao do tempo, dava o tom da sala. Do outro lado, um homem que surpreendentemente aparentava ter por volta de seus 25 anos, estava sentado em uma outra poltrona de couro, maior e mais surrada, e tinha os pés encima da mesa, mostrando a enorme preocupação que tinha para com absolutamente nada. Novo demais, pensou. Estranhamente, a sensação que passava era de que sua experiência era inversamente proporcional à sua juventude. Ainda assim, novo demais.

Tiras de sexta

Adoro o humor sucinto e eficiente das tirinhas, por isso resolvi colocar algumas por aqui. Tudo bem, o nome do post não ficou nada criativo, mas pense você... Numa sexta-feira, depois de uma semana toda bagunçada, relaxar com algumas tirinhas é algo incrível. Se não acredita, dá uma lida aí =]












Waldomiro Neto

















































































































































































Untitled 1

Março ou Abril de 2010.

E lá estou eu. A um passo de distância de tudo que necessito, a um decisivo passo do que pode ser a minha única chance. Uma lembrança, derradeira, é o carrega toda a responsabilidade, todo o peso. É preciso ser perfeito, nem um pouco a mais, nem mesmo uma respirada a menos. Toda a força concentrada em repetir o que foi estabelecido anteriormente. Recuso-me a seguir por outros caminhos. Sei que há ajuda disponível, mas isso é um embate pessoal. Sei que sou capaz. Mesmo errando uma, duas, três vezes, não desistirei. Que pulsem alertas vermelho-sangue, daqui não saio! Já sei! Não, espere... não pode ser isso... sei que há um modo de lembrar-me... Ora, vamos, não posso prosseguir se não o fizer... Argh! Como odeio depender disso... Sei que é importante, mas não haveria outro modo? Sinceramente, me soa absurdamente inconveniente por vezes... Mas agora não há nada que possa ser feito... só posso continuar nadando desesperadamente em minhas memórias e me afundando muito mais do que poderia agüentar normalmente em lembranças do consciente - e do subconsciente, com sorte - para que consiga recuperá-la... Maldita! Não podia fazer isso comigo! Eu a criei! Fui eu quem abriu mão de um precioso tempo para dar vida a ela! Ah, mas ela pagará. Assim que encontrá-la e mesmo que no fim dessa busca, vendo mesmo essa aurora desbotar na janela, não a encontre, darei meu jeito para que ela seja destruída e esquecida justamente, sem peso na consciência. Mas isso, depois. Agora tudo que mais queria era vê-la aqui, em pequenos buracos negros ou estrelas distantes e acinzentadas... não importa. Meu desejo por ela continua a crescer, preciso revê-la, ainda que de fato não o possa, pois mesmo de mim, aquele que a concebeu originalmente, eles insistem em esconder... Insiste em correr o tempo, me cresce uma agonia absurda... Não resistirei muito mais tempo...Não. Chega. Vou apelar ao link de senha esquecida e ao protocolo de confirmação que chegará ao outro e-mail. Odeio essa burocracia...
Mas espere... qual era a senha daquele mesmo?
...

O início.


"Existem poucas fontes de humor mais confiáveis e perenes que a mente de uma criança. A maioria dos cartunistas, seres infantilizados que são, sabe bem disso. Mas, quando se dispõem a captar o espírito tumultuoso dos pequenos, eles quase sempre trapaceiam. Sem pudor, criam não crianças reconhecíveis, mas adultos em miniatura, irritantes e piadistas. Pode-se atribuir isso a indolência ou falha de memória, mas a maioria das pessoas que escrevem diálogos cômicos para crianças dá mostras de uma surpreendente falta se sensibilidade – ou de fé – em relação ao material que as inspira, isto é, a infância, em toda a sua livre e encantadora exuberância.

É nesse sentido que Bill Watterson se revela tão original. Watterson é o repórter que acertou a mão, conseguindo retratar a infância tal como realmente é, com suas constantes mudanças de sistemas de referência."

Calvin e Haroldo – o início.

Sabendo que nem todos têm o prazer de conhecer o começo de tudo, trago a seguir as três primeiras tiras dessa maravilhosa dupla criada por Watterson, publicadas em 1985. Já pensou em como Calvin e Haroldo se conheceram? Ósó.






Pois é,

Finalmente criei [coragem para] um blog, então cá estamos. Não tenho bem certeza do que vai sair por aqui, mas com sorte, teremos algo de valor. Provavelmente uma conversa ou outra, sobre um texto, uma imagem ou sobre nada, lhe aguarda, se quiser. Mas siga lendo e comentando! Espero que goste. Por agora, só me resta lhe convidar a chegar mais perto, puxar uma cadeira e pedir que também lhe sirvam uma boa dose desse céu, pois garanto, vale muito a pena.


Pra começar.

Me vê um copo de céu aí, vai.
Quem sabe, ao tragar toda essa perfeição inconstante - perfeita inconstância -,
não melhore um pouco esse bafo de mesmice.

Já me chega não ter nada demais. Quero uma dose de plenitude multifacetada para rasgar-me goelabaixo. Para me provar que não preciso pisar somente em chão e que palavras e cores e ares estão todos à minha disposição. E pode engatar outra dose, não saio daqui olhando pressa terra sem graça onde todos fizeram questão de deixar uma marca.Faltou-lhes o bom senso para escolher entre uma boa e uma má lembrança, logo a mais estúpida veio primeiro.
Por isso que ninguém sai dessa porcaria.

Anda, rapaz, me vê mais uma dose. Capricha nas cores, enche de nuvem,daquelas bem fofas, pra que eu deite encima, sem preocupações. Mistura um pouco, e bota um pôr-do-sol pra enfeitar, que os olhos também gostam dessa nostálgica embriaguez. Ah, como os olhos se deliciam e gostam de me levar com eles...Tenho sorte, sabia? De ter olhos diferentes de todos os outros...
Ou será que só escolhi prestar atenção ao que eles me dizem, ao invés do que a maioria faz? Puxam os cobertores sobre suas cabeças e não enxergam nada, ignorantes. Tornam os olhos para o interior de si e ainda assim não enxergam o que seus interiores mais desesperadamente clamam! Olhem à sua volta, sejam razoáveis! Ou, se assim melhor lhes parecer, esqueçam essa maldita razoabilidade! Esqueçam tudo e agarrem uma garrafa! Entornem, tomem um gole ou dois, não importa. As cores os libertarão desse mundo ridículo em que fazem questão de se prender.
Os olhos são os verdadeiros sábios, eu posso lhe dizer. Em seu brilho estelar, com o qual mesmo eu ainda me surpreendo, carregam toda a verdade que é preciso ter para se viver melhor.
Seria bom se dependêssemos só deles.

Mas por que foi que você parou de servir, moleque?
Enche o copo!Aliás, vê se traz a garrafa toda logo. Um litro de céu é mais bonito que uma dose. Desde que seja uma boa garrafa, safra de Brasília, eu garanto teu salário.

Devo esse capricho aos meus olhos. Encontraram com um grande olho no céu, uma vez. E me disseram que se você ousar imaginar a cor e a essência dos olhos de um belo pássaro em seu mais puro brilho, contente, em seu vôo mais tranqüilo, a ferocidade e a firmeza da corrida de um grande felino em sua elegância magnífica, o sorriso da mais bela das Damas, aquela que se agarra ao teu braço, descompassando-lhe por completo, e repousá-los sobre o abraço mais que verdadeiro de dois amigos, você começará a chegar perto do primeiro tom de uma das cores desse céu que te falo. Não é fácil, rapaz, achar uma boa garrafa como essa. Sabem das coisas, esses meus velhos olhos. Se me lembrar, outro dia converso com eles para te convencer de que mesmo o mais escuro cobertor com o qual a noite pode se cobrir é incrível.

Mas não se acanhe ao servir, devemos mesmo desfrutar. Pode descer mais uma, pra fechar essa conta aqui. Só aqui. Tô levando a garrafa, porque desse céu em particular nunca vi ninguém cansar. E com a mesma certeza que afirmo que não há espaço para arrependimentos em nossa conversa, te garanto que volto amanhã pra gente conversar um pouco mais. Nessa conversa de nuvem aqui ainda tem muito o que falar, afinal.